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Todo Mundo Vai Ouvir
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Contatos eletrônicos de primeiro grau
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“Eu Vou Dizer”, parceria com Mário Tadeu, cuja oralidade digna dos cordéis vislumbra uma métrica que oscila com tranqüilidade de oito para quatro “pés”.
Já “O Que é o Que é” é um rap que faz uma outra provocação a um quadro que “tá aço, tá osso”, uma visão apolítica da realidade cearense, brasileira, entre sutilezas sobre drogas e um “um troço medonho, perto do pescoço” faminto, cearense. Ela é seguida por “Nu, Nasce ou Não?”, sátira poderosa ao hino nacional, ao compasso contínuo de “fome”, “fome”, “fome”, entre pandeiros e grunhidos, concluídos por uma leitura mordaz da constituição. A pesquisa musical incluiu gravações de ruídos e vozes de personagens de Quixadá, além de cantadores de outras cidades. Entre os personagens, está o mencionado Zé do Pente, vendedor de bolo que não desgruda do seu instrumento capilar e musical. A linguagem e a tecnologia coloquiais foram se mesclando pouco a pouco com o universo eletrônico, num processo que exigiu que Idson trancasse dois semestres da faculdade de História. “Lá as pessoas se sentem chocadas com o que eu faço. Enquanto eu faço letras consideradas estranhas, o Mário Tadeu faz músicas ainda mais obtusas para eles”, considera o músico que não tocou nem teclado, nem violão no seu próprio álbum. “Estava mais preocupado com a concepção do trabalho, em cantar e fazer com que essa nova linguagem chegasse aos ouvidos de todos”, diz o músico que se mantém, atualmente, em uma ponte rodoviária entre Quixadá e Fortaleza. Por aqui, Idson vem se apresentando também ao lado do Grupo de Percussão Eletrônica da UECE, mostrando músicas como “A Saga do Cabo Júlio Gusmão”, um verdadeiro cordel encantado em que ele mistura cantos de aves de rapina com relinchos e guitarras, na trágica história de um cabo que desafiou Lampião. Já “Ascatumbalacobaco”, traduz frases populares aleatórias, valorizando a palavra em uma embolada atômica que mescla, em alta fidelidade, a escatologia e a miséria, esta onipresente no álbum. E vamos ficando por aqui, falando ainda da faixa título, um momento mais lírico, em que “todo mundo vai ouvir” a volta da namorada. O eletrônico aparece com samplers de um bandoneon como em “Cine Iara”, homenagem ao primeiro cine de Quixadá, numa canção de uma oralidade eletrônica, cujas imagens expõem um filme bastante pessoal, quântico, em meio a explosões siderais, vistas com freqüência, na terra visitada por esses seres doutros mundos. Por fim, tomamos um pouco do “Café do Coco”, uma verdadeira aula sobre o ritmo primo da embolada, no caso o cantador Café, um Zé Limeira de Quixadá, que sai da vocalização tradicional entre distorções e ruídos sampleados, misturados com o “Canto de Coco para Azuleika e Asa Branca”, do caririense Abdoral Jamacaru, em meio a um constrangedor silêncio que se distancia da Babel do mundo dos bolos e das emboladas, em direção aos fuxicos instrumentais de “Vou Fuxicar”. Essa, a mesma que abre o álbum numa crônica-cordel sobre a vizinhança fuxiqueira de todos nós, uma embolada cheia dos estrambólicos “causos” quixadaenses, toda enfeitada de provocações e com uns estranhos sons “de outro planeta”. Texto: Henrique Nunes © COPYRIGHT 1998 Diário do Nordeste. Para conferir as músicas entre no site: www.palcomp3.com.br/idsonricart | ||
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